segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Luiza Mader: diálogos profundos, respostas terrenas.

 
Luiza Mader. " Série Extensões". Mista sobre Tela de Organza. 2008.

A pesquisa da artista plástica Luiza Mader se foca no desvendar da força que a matéria (plástica) possui. Inquietações, tais como, ver o tecido mole e acetinado unir-se à tinta densa e opaca lhe permitiram traçar um caminho destinado ao que parece mais natural a um artista: a materialidade. "Extensões" iniciou-se no ano 2008 nos ateliês das aulas de pintura, nas quais, a artista desabrochou sua linguagem visual e seus interesses por temáticas que envolvem a terra (que pisamos) enquanto pigmento; enquanto conceito - dada a retirada da terra de seu local de origem. Na expectativa de alterar o suporte usual do chassi e da tela de algodão preparada, Luiza descobriu na leveza do tecido organza a possibilidade de trabalhar a sua pintura, isenta do comum formato. Suspensos por fio de nailón suas "livres telas" estavam prontas para serem pigmentadas de tinta a base de pva e terra com cola, priorizando assim matizes de marrons a amarelos ocre. 
A imersão a essa pesquisa lhe proporcionou entender que o trabalho  necessitava  "respirar" melhor, alterando o suporte da tela de organza para a tela de tule. Esse respiro se permitiu devido à trama mais aberta do tecido que, associados aos pigmentos, aumentou a sensação de leveza e também do fator transparência.

 
Luiza Mader. " Série Extensões". Mista sobre Tela de Tule. 2009.

A partir do amadurecimento da técnica desenvolvida pela artista, sua curiosidade aguçou para novos confrontos, já que a tendência é ir-se aprofundando a fim de resultados sólidos, ou seja, que tragam o conforto pictórico a seu criador. Nesse sentido, Luiza Mader aproximou-se focadamente na temática que desde o início já lhe guiava, a terra (suas cores, pigmentos, texturas) - antes sumamente atrelada à pesquisa do suporte.
Em sua pesquisa por novos materiais, abdicou da tinta a base de pva e descobriu na encáustica a possibilidade de tornar a materialidade de sua obra ainda mais orgânica e de fato, mais terrosa. A cor natural da cera misturada às cores naturais de pigmentos da terra lhe favoreceram na atual série de trabalhos intitulada "Terrenos". O ponto central dessa produção é discutir a terra-produto enquanto propriedade plástica, além de re-discutir o seu local de permanência: o solo. Reaparecem os dois tecidos utilizados em "Extensões" como parte dessa mistura que revela, em meio ao emaranhado, diferentes densidades, as quais, se assemelham à  sua natural matéria.  Nesse projeto, Luiza transporta "sua terra" para a chapa de madeira  e modifica sua localização. Agora os "Terrenos" se configuram nas paredes brancas, sob o olhar padrão de um espectador. A mudança do espaço físico como conceito gera a multiplicidade de reflexões acerca dos lugares respectivos às "coisas". No trabalho de Luiza, uma reflexão profunda sobre os mistérios da terra (sua composição, suas camadas, suas cores) revelam respostas terrenas à sua poética. De certa forma, o que é acentuado na obra é a sua literal poesia, a poesia que no avesso não poderia existir sem a mão de obra do artista, a poesia que ali estava submersa no desconhecido, a poesia que agora, sobre o branco, se fez clarão. 
Ref. da última obra.: Luiza Mader. "Série Terrenos". Mista sobre Chapa de Madeira. 2009.

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La búsqueda de la artista Luiza Mader se centra en el descubrimiento de la fuerza que el material (plástico) posee. Preocupaciones tales como ver el tejido suave y satinado unirse a la gruesa pintura opaca le permitió trazar un camino para el que parece más natural para un artista: la materialidad. "Extensões" comenzó en 2008 en las clases de los talleres de pintura, en la que la artista ha florecido su lenguaje visual y sus intereses en cuestiones relacionadas con la tierra (la que andamos) como pigmento; como concepto. Con la esperanza de cambiar el chasis y tejido de algodón preparado como soportes habituales, Luiza en la ligereza de la tela de organza encontro condiciones de trabajar la pintura distante del formato común. Suspendido por nylon sus "pantallas libres" estaban listas para ser basada en pigmentos de tinta y de la tierra con cola blanca, priorizando así matices de color café a amarillo ocre.
La inmersión en esta investigación ha dado a entender que para el trabajo "respirar" mejor lo ideal fue cambiar la pantalla de organza a la pantalla de tul. Esta tregua fue autorizado debido a la trama más abierta de la tela, combinados con pigmentos, el aumento de la sensación de ligereza y también el factor de transparencia.

En su búsqueda de nuevos materiales, rechazo a la pintura a base de PVA y descubrió encáustica como la posibilidad de hacer la materialidad de su obra más orgánica y de hecho, más terrenal. El color natural de la cera mezclada con los pigmentos de color natural de la tierra a favor de la serie actual de los trabajos titulado "Terrenos". El foco de esta producción es para discutir la propiedad de la tierra como producto plástico, además de volver a su lugar de residencia: el suelo. Reaparecen las dos telas utilizadas en "Extensões" como parte de esta mezcla que, en medio del enredado aparecen diferentes densidades que se asemejan a su lugar natural.

En este proyecto, Luiza lleva "su tierra" a la placa de madera y cambia su ubicación. Ahora, la "tierra" configura las paredes blancas, bajo el patrón de ojo del espectador. El cambio de espacio físico como un concepto genera una multiplicidad de reflexiones acerca de los lugares respectivos de "cosas". En la obra de Luiza, una profunda reflexión sobre los misterios de la tierra (su composición, sus capas, su color) mostraron una respuesta a su poética. En cierto modo, que se acentúa en la obra es su poesía literal, la poesía en la espalda que no podría existir sin el trabajo del artista, la poesía que se sumerge en lo desconocido, la poesía que ahora, sobre el blanco, se convirtió en el resplandor.   
Ref. de la última obra.: Luiza Mader. "Terrenos". Técnica mixta sobre chapa de madera. 2009.
 

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Luiza Mader, 24 anos.
Brasiliense, estudante do curso
superior de Artes Plásticas na Universidade
de Brasília.
Vive e trabalha em Brasília.
+ sobre a artista:

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fotomontagem Feminista.

 
Hannah Hoch. "The Beautiful Girl". Fotomontagem. 1920.


Hannah Hoch foi uma das artistas atuantes do movimento dadaísta alemão. Me interessa seu trabalho de fotomontagem principalmente quando trazem a temática Feminista. Hannah Hoch foi precursora do trabalho com papéis, mais especificamente os recortes de revistas e jornais. Sua principal discussão (além da crítica à política) era o comportamento feminino moderno em relação a mulher colonial. Desde esse período, já se notava a pressão das propagandas de beleza e moda destinadas às mulheres. Na obra acima, Hannah discute a Beleza como aniquilação do Pensar, também, o Tempo se torna refém da indústria "TopModel", representado por um relógio na obra apresentada. Os minutos correm contra a beleza natural e espontânea e a favor das grandes indústrias de cosméticos.

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Hannah Hoch fue una de las artistas atuantes del movimiento dadaísmo de alemaña. Lo que me interesa de su trabajo es el fotomontage principalmente cuando traen como tematica el Feminismo. Hannah Hoch fue la precursora del trabajo con papeles, en especial los recortes de las revistas y los periódicos. Su principal discusión (además de la crítica a la política) era el comportamento feminino moderno relacionado a la mujer colonial. Desde ese período, ya se hacía notar la presión puesta por las propagandas de belleza y moda destinadas a las mujeres. En la obra arriba, Hannah plantea la Belleza como el quitar del Pensar, también, el Tiempo se vuelve rehén de la indústria "TopModel", representado por um reloj en la obra presentada. Los minutos corren contra la belleza natural y espontánea y en favor de las grandes indústrias de cosméticos.


Mais trabalhos da artista:

Abraços y Saludos a todos!!!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Neiliane Araújo: Entre fios, tecendo rios.



Neiliane Araújo. "Varal 16". Colagem digital e Desenho. 2010.

Entre uma ponta e a outra, o fio que tece o Varal suporta os mais diversos objetos do cotidiano, curiosamente "expostos ao sol". A artista trabalha a idéia do "secamento" dos objetos - sentimentos, com a série Vou deixar Secando: desenhos sobre fotografia, ou apenas sobre papel.
O percurso da arte de Neiliane caminhou por terrenos como a Instalação e o Site Specific, além de momentâneas ações urbanas. Porém, o momento atual - ou melhor, dos últimos dois anos de trabalho - são as experimentações com o desenho. Dentre as facetas que lhe apresentou o desenho, podendo ser inclusive digital, sua fascinação por linhas resulta em temáticas que vão mais além do que o próprio conceito de desenhar.



  Neiliane Araújo. "Varal 18". Colagem digital e Desenho. 2010.

Em seus trabalhos determina suas indecisões, angustias ou certezas por meio do objeto exportado para o papel, com leveza. A idéia do varal sugere um momento de reflexão, muitas vezes situações corriqueiras trazem a sua carga de cobrança de um "algo" que não se pode dar. O melhor, para a artista, é pendurar qualquer incerteza no varal, pois o tempo e o sol secarão o impasse:

Colecionei uma série de elementos capazes de embaraçar o passo da dança. Imaginei que tivessem assistentes e estes, enfim, compareceram também ao cenário que criei. Atuam como símbolos da circunstância. Todos serão estendidos no varal.
Secando: ação contínua. Do mesmo modo que os estendo, os prorrogo e amplio sua contingência e sua posição no universo. (Neiliane Araújo)



 
  Neiliane Araújo. "Ainda que eu tivesse asas, escolheria emaranhar-me". Colagem. 2007.


Em outras produções fez uso da colagem para significar o sentimento contínuo de fio. Os pássaros são recorrentes em sua obra transferindo a eles a metáfora de uma liberdade consciente. Neiliane e sua poética se misturam como a vida e a arte. Nas colagens fez uso do fio de arame e objetos de plásticos sobre o papel paraná. A dimensão é outra, porém, a presença do Varal já era uma antecipação à tudo o que estava por vir. 
A arte de Neiliane é poesia. Sua linguagem comunica de forma sutil a construção do auto-conhecimento em breves avisos.

Qual é o seu preconceito com a auto-ajuda?
Eu ainda tenho os meus, bem guardados aqui. Faço uso deles quando para uso são.
De pareceres insensatos, bastam-me os elementos estendidos no varal. (Neiliane Araújo)

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Neiliane Araújo, brasiliense, 28 anos.
Formou-se pela Universidade de Brasília em
Artes Plásticas, 2006.
Vive e trabalha em São Paulo, SP.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Kurt e a Arte Merz.

Alinhar ao centroKurt Schwitters. Sem Título. Colagem. 1930-31.

Essa colagem de Schwitters faz parte de sua fase "Merz" assim intiulada por ele próprio. Essa palavra não possui um significado concreto (no sentido de que a palavra implique na existência de algo real), portanto, ela significa uma fase de produção na obra do artista que é, justamente, a fase dos trabalhos de colagem. Entre tesouras e recortes, um pedaço da palavra Kommerzbank (banco de comércio, em alemão) lhe caiu como uma luva, já que tudo o que lhe faltava era um "algo" que definisse o que ele estava criando.
Fatos "engraçados" entremearam essa história das colagens de Kurt, tais como, ele ter sido excluído do grupo dos dadaístas (que faziam colagem anti-arte) e ter tido parte de sua obra em papel queimada e rasgada dentro de seu antigo apartamento abandonado pós exílio para a Noruega. Tais fatos, legitimam a colagem feita nesse período como objeto de insulto ao Visual. Kurt, na verdade, encontrou ali uma forma de expor seus sentimentos pela sociedade burguesa, a qual vivia, porém, não fazia uso da sua arte para criticar mazelas, e sim, para exportá-las para algo visível e que pudesse ser discutido, pensado e criticado. Ou seja, a arte Merz, foi o seu "portal". Boa parte dos materiais utilizados por ele nos trabalhos eram restos de papéis, tecidos, tickets e afins sem utilidade. Ele afirmava que não importava o material e sim a forma. Nesse ponto, eu discordo de sua posição, apesar de ser admiradora de sua obra. Acredito que o material é de suma importância para o trabalho de colagem, assim como sua forma. Porém, opiniões a parte, está aí sua obra, e essa postada hoje foi escolhida por sua delicadeza formal. A mistura entre imagem de revista e pedaços de papel cartão foi ideal. "Dois pesos e duas medidas"'.


Super abraços!


Imagem retirada do blog:
http://mazaroio.blogspot.com
e que por sinal está muito bom.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O mundo secreto dos Coladores!

Kurt Schwitters - "Das Undbild" - colagem, 1919.

Kurt Schwitters, Londres - 1944.

Esse homem da foto é o sr. Kurt Swchitters, autor da obra acima a qual me inspira e me gera muito interesse! Ele nasceu praticamente 1 século antes de mim, na Alemanha, e isso parece um tanto quanto assustador, ao pensar no termo "comtemporaneidade". Em tese, ele é meu comtemporâneo - tendo como base o registro contemporâneo pós revolução francesa. Mas não quero me ater a termos, o que geralmente é um problema! O que me interessa é que Kurt é Colador, e esse é o assunto que rotineiramente me afronta, já que eu também sou uma (Coladora). Me pergunto sobre a Colagem todos os dias, muitas vezes tento separar o termo técnico da coisa em si. Porém, desde esse ponto vêm o cerne da questão, a Colagem é uma técnica, falta ela ser legitimada como categoria dentro das diversas técnicas das Artes Plásticas. De fato Kurt e outros artistas fizeram colagens, isso é fato. No entanto, sinto o espaço do artista Colador no meio artístico (infeliz denominação essa de "meio"!) um tanto quanto desafrochado. Não por conta dos artistas - somos extremamente vanguardistas. Ou não? Já que nossa "técnica" ficou estagnada como algo das vanguardas lá de antes, dos artistas rebeldes que cansaram de pintar e resolveram colar coisas! - mas por conta da literal definição.
Faltam palavras, textos, críticas... tudo! Praticamente falta tudo para definir o artista Colador e sua obra. Por mais que Kurt tenha tido uma "passagem..." pelos recortes, assim como Picasso (famoso por seu Cubismo Sintético) - aliás, que prepotência considerar sintética uma colagem! - eles nunca receberam o nome de Coladores por algum momento. Não é que se necessite dar nome às coisas como mero capricho, mas, de fato, a colagem nas Artes Plásticas é considerada muitas das vezes como um sobrevôo na carreira de um artista em uma fase tal... Porém, é bom deixar claro. A Colagem não ficou parada no tempo, ela é contemporânea e há inúmeros artistas produzindo-a.

- No blog Arte Paralela, a partir de hoje, a Colagem é tema -


Abraços!!!